Ofidismo na Amazônia Brasileira: vigilância epidemiológica e Atenção Primária à Saúde como eixos da capacidade de resposta do SUS frente às mudanças ambientais (2020–2025)
Snakebites in the Brazilian Amazon: Epidemiological Surveillance and Primary Health Care as Axes of the SUS Response Capacity to Environmental Changes (2020–2025)
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i2.2025.1901Palavras-chave:
Ofidismo, Clima, EpidemiologiaResumo
Os acidentes ofídicos são um grave problema de saúde pública na Amazônia, influenciados por fatores socioambientais e desigualdades no acesso à saúde. Este estudo analisou o perfil epidemiológico desses agravos na Região Norte entre 2020 e 2025, sob a perspectiva da vigilância e da Atenção Primária à Saúde (APS). Realizou-se um estudo ecológico e descritivo com dados do SINAN, abrangendo variáveis demográficas, clínicas e temporais (dados de 2025 preliminares). Os resultados apontam heterogeneidade espacial, com maior concentração de casos no Pará, Amazonas e Tocantins. O gênero Bothrops predominou, seguido por Crotalus, Micrurus e Lachesis. Notou-se uma predominância de vítimas masculinas e um aumento das notificações até 2023. Identificou-se que as mudanças climáticas extremas, como as secas históricas de 2023-2024, alteraram a dinâmica ecológica local, intensificando processos de sinantropia. A degradação de habitats naturais e o estresse hídrico forçaram o deslocamento de serpentes para áreas antrópicas em busca de refúgio, elevando o risco de exposição humana. Embora a APS e o fortalecimento da Rede de Frio tenham otimizado o tempo de resposta, gargalos logísticos em áreas remotas persistem, agravados pela baixa navegabilidade dos rios em períodos críticos. Conclui-se que o ofidismo na Amazônia é um agravo estrutural exacerbado pela crise climática, demandando estratégias de vigilância resilientes que integrem a conservação ambiental à capacidade de resposta do SUS para mitigar as desigualdades territoriais e garantir a assistência oportuna.
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