Investir Correndo Ou Pensar Estrategicamente? Síndrome Da Rainha Vermelha E Inteligência No Enfrentamento Ao Crime Organizado No Amazonas
Investing In A Rush Or Thinking Strategically? Red Queen Syndrome And Intelligence In Confronting Organized Crime In The Amazon
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2100Palavras-chave:
Crime organizado, inteligência policial, inteligência financeiraResumo
O artigo analisa o enfrentamento ao crime organizado no Estado do Amazonas a partir da metáfora da Síndrome da Rainha Vermelha, formulada por Marcos Rolim, segundo a qual a segurança pública “corre o máximo que pode para permanecer no mesmo lugar”. Parte-se do diagnóstico de que o Amazonas atua como hub logístico do tráfico de drogas na Amazônia, conectando a produção andina de cocaína aos mercados nacionais e internacionais pela calha do rio Solimões, ao mesmo tempo em que a Polícia Militar do Amazonas opera com efetivo aquém do patamar ideal projetado para a realidade territorial e criminal do estado. Adota-se abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, baseada em pesquisa bibliográfica e documental sobre crime organizado, facções, inteligência policial, inteligência financeira e descapitalização, alinhada aos preceitos da Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP), bem como na análise de documentos institucionais e do estudo de caso da Operação Collapsus, no Tocantins. Sustenta-se que, nesse contexto de vantagem logística das facções e déficit estrutural de pessoal, a simples intensificação de operações ostensivas tende a reproduzir a dinâmica da Rainha Vermelha, com alto custo e baixo impacto estrutural. Conclui-se que a priorização de investimentos em inteligência, especialmente em sua dimensão financeira orientada pela lógica do follow the money, constitui condição estratégica para deslocar o eixo do enfrentamento, fragilizar o modelo de negócios das organizações criminosas e criar assimetrias reais a favor do Estado no contexto amazonense.
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