A interseccionalidade e vivência
Intersectionality and experience.
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2102Palavras-chave:
Lélia Gonzalez. Carolina Maria de Jesus. Feminismo negro. Amefricanidade. Interseccionalidade.Resumo
O presente artigo propõe um cruzamento analítico entre o feminismo negro formulado por Lélia Gonzalez e a vivência de Carolina Maria de Jesus, com o objetivo de evidenciar a aplicação prática de conceitos centrais da teoria de Gonzalez no campo social a partir da experiência de Carolina. Adota uma metodologia de análise comparativa, articulando, de um lado, a noção de amefricanidade e as previsões legislativas como dispositivos teórico- metodológicos; de outro, o relato empírico de Carolina, sua linguagem e as condições materiais que a cercaram, para ilustrar como tais categorias iluminam a construção de direitos fundamentais, especialmente no campo da educação e emancipação. Os resultados indicam que a experiência de Carolina funciona como estudo de caso da eficácia crítica da teoria de Gonzalez, ao demonstrar a necessidade de uma abordagem jurídica que incorpore epistemologias negras, raça, gênero e classe como dimensões interligadas da violência estrutural. A análise revela ainda que promover vozes historicamente silenciadas, fortalece a legitimação de reivindicações de direitos que transcendem o conteúdo formal da lei, ampliando o raio de proteção estatal para contextos de pobreza extrema e exclusão racial. Conclui-se pela urgência de incorporar essas perspectivas no direito brasileiro para a efetivação de direitos da mulher negra, especialmente no âmbito da proteção social, cultural e econômica, diante de cenários de vulnerabilidade.
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