Envelhecer E Padecer: Etarismo No Contexto De Desigualdade Estrutural E Gastos Sociais No Brasil
Aging And Suffering: Ageism In The Context Of Structural Inequality And Social Spending In Brazil
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2147Palavras-chave:
Etarismo, Envelhecimento, Determinantes Sociais da SaúdeResumo
O Brasil experimenta envelhecimento populacional acelerado em contexto de desigualdade estrutural persistente e reformas sociais que fragilizam proteções sociais. Este artigo investiga como vulnerabilidades na velhice são socialmente produzidas através da articulação entre transição demográfica prematura, transição epidemiológica inconclusa, etarismo institucionalizado e necropolítica etária. Mediante análise teórico-documental de caráter crítico, examinam-se quatro proposições analíticas: o envelhecimento como transição demográfica prematura; a tripla carga de doenças como padrão persistente de morbidade expandida; o etarismo como dispositivo mediador entre condições estruturais e desfechos de saúde; e as reformas fiscais e previdenciárias como arranjos institucionais que sistematicamente aprofundam a insegurança na velhice. A operacionalização do conceito de etarismo revela manifestações concretas em políticas, protocolos e práticas de saúde. Evidências empíricas confirmam que idosos brasileiros vivem mais de oito anos com limitações funcionais severas, caracterizando expansão da morbidade. As reformas EC 95/2016 e EC 103/2019, implementadas simultaneamente ao envelhecimento populacional, configuram escolha política de produção sistemática de insegurança para populações vulneráveis. Levantamento realizado nas bases SciELO, Portal de Periódicos CAPES e Scopus revela produção científica consistente sobre etarismo no período 2020–2025, indicando intensificação do interesse acadêmico, particularmente durante a pandemia de COVID-19. A investigação demonstra que envelhecimento digno não resulta de processos naturais, mas de escolhas políticas deliberadas que podem e devem ser contestadas.
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