Ensino de arte e desigualdade estrutural: uma leitura socioterritorial a partir de dois contextos escolares nos Estados Unidos
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2318Palavras-chave:
Ensino de arte; território; capital cultural; contexto educacional; prática docente.Resumo
Este estudo analisa as relações entre território e ensino de arte por meio de uma comparação entre dois contextos educacionais distintos no estado de Indiana, nos Estados Unidos: Bluffton e Kokomo. Embora inseridas no mesmo sistema estadual de ensino, as duas localidades apresentam configurações socioterritoriais significativamente diferentes, que se refletem diretamente no ambiente escolar e nas práticas pedagógicas. A pesquisa parte da compreensão da sala de aula como extensão do território, evidenciando como fatores como a estabilidade social, a organização econômica, a diversidade cultural e o acesso ao capital cultural influenciam o tempo pedagógico, o comportamento dos alunos e as estratégias docentes. A análise articula observação empírica com referenciais teóricos que abordam o espaço social, o capital cultural e os sistemas de significados, permitindo compreender as diferenças entre os contextos como expressões de desigualdades estruturais. A partir dessa perspectiva, propõe-se a noção de pedagogia da adaptação como estratégia fundamental no ensino de arte em ambientes marcados pela instabilidade, destacando a necessidade de reconfigurar as práticas pedagógicas para preservar o sentido da experiência artística. Conclui-se que o ensino de arte não pode ser compreendido de forma dissociada das condições sociais em que se insere, sendo essencial considerar o território como elemento constitutivo do processo educativo.
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