Aspectos históricos e sociológicos na literatura francesa do século XIX: uma compreensão sociogenética da modernidade
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2453Palavras-chave:
modernidade; literatura; sociologia.Resumo
Partindo da modernidade como etapa histórica concluída e em seus traços puros, surge um fenômeno típico dessa nova fase: a mobilidade social. Na França do século XIX, esse novo fenômeno desponta como traço subjetivo de vários jovens que tentam ascender socialmente e inserir-se em espaços distintos dos de suas origens. Essa ascensão social não aponta apenas uma reestruturação dos grupos sociais, mas também revela novos traços psicológicos que impulsionam a busca por ascensão social. Essa sociogênese da sociedade francesa conturbada e instável do século XIX é registrada detalhadamente nos romances desse período. Partindo dessa compreensão, o objetivo deste ensaio é rastrear, em escala ascendente, as variáveis de mobilidade social de indivíduos e a configuração de grupos sociais em Paris no período de 1819 a 1867. O material de análise será composto pelas obras literárias O Pai Goriot (1834), de Balzac, e A Educação Sentimental (1869), de Flaubert. Para alcançar tal objetivo, far-se-á uma comparação entre essas obras, destacando as informações, descrições e representações sociais que se repetem. Como essas obras literárias foram produzidas em um período histórico sincrônico ao de seus autores, tentar-se-á comparar os aspectos sociológicos da literatura com os da própria sociologia e apontar semelhanças e diferenças na produção do conhecimento social entre essas duas áreas.
Downloads
Referências
ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.
BALZAC, Honoré de. O pai Goriot. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2015.
D’AGUIAR, Rosa Freire. Nota della traduttrice. In: FLAUBERT, Gustave. A educação sentimental. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2017.
DURKHEIM, Émile. Da Divisão Social do Trabalho Social [1893]; As Regras do Método Sociológico [1895]; O Suicídio [1897]; As Formas Elementares da Vida Religiosa [1912]. São Paulo: Coleção Os Pensadores. Abril Cultural, 1983.
ELIAS, Norbert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. v. 1.
FLAUBERT, Gustave. A educação sentimental. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2017.
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Os pensadores: Hegel. São Paulo: Editora Nova Cultura, 2005.
HELLER, Agnes. A Sociologia Como Desfetichização da Modernidade. Novos Estudos CEBRAP, n. 30, p. 204-214, 1999.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 27. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
LUKÁCS, György. In: NETTO, José Paulo (org.). György Lukács: Sociologia. São Paulo: Ática, 1981.
MARX, Karl. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
MARX, Karl. Grundrisse: Manuscritos Econômicos de 1857-1858. São Paulo: Boitempo, 2011.
MARX, Karl. Miséria da filosofia. São Paulo: Martin Claret, 2008.
MARX, Karl. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. São Paulo: Martin Claret, 2008.
STAVENHAGEN, Rodolfo. Estratificação social e estrutura de classe. In: VELHO, Otávio Guilherme; PALMEIRA, Moacir G. S.; BERTELLI, Antônio R. (org.). Estrutura de classes e estratificação social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1976.
WEBER, Max. In: COHN, Gabriel (org.). Max Weber: Sociologia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2008.
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 Danilo Mourão dos Santos (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.
