Genocídio, reconciliação e autoritarismo: reavaliando a sustentabilidade da paz em Ruanda
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2462Palavras-chave:
Genocídio, reconciliação, autoritarismo.Resumo
Este artigo examina criticamente as dinâmicas de conflito, reconciliação e consolidação do poder político em Ruanda após o genocídio de 1994. Partindo de uma análise histórica e institucional, o estudo argumenta que a violência genocida não pode ser compreendida apenas como um colapso repentino da ordem social, mas sim como o resultado de estruturas políticas e identitárias construídas durante o período colonial. Utilizando contribuições teóricas de Mahmood Mamdani, Johan Galtung e John Paul Lederach, o artigo analisa três dimensões fundamentais da reconstrução pós-genocídio: memória coletiva, capital social e reconstrução institucional. O estudo demonstra que, embora Ruanda tenha alcançado avanços significativos no desenvolvimento econômico e na estabilidade institucional nas últimas três décadas, persistem tensões estruturais relacionadas à centralização do poder político, à restrição do pluralismo e à instrumentalização da memória histórica. Argumenta-se que processos de reconciliação baseados no capital social e em iniciativas comunitárias desempenham um papel essencial na manutenção da estabilidade cotidiana, mas podem ser limitados por estruturas políticas autoritárias. Ao analisar a interseção entre reconstrução econômica, justiça transicional e governança política, este artigo contribui para os estudos de paz e conflito ao demonstrar que o crescimento econômico e a estabilidade institucional não são, por si só, indicadores suficientes de paz sustentável. A experiência ruandesa ilustra a complexidade da construção da paz em contextos pós-genocídio e traz importantes implicações para as políticas internacionais de reconstrução pós-conflito.
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