Seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista e suas repercussões no estado nutricional: implicações para a saúde coletiva: uma revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2543Keywords:
Transtorno do Espectro Autista; Seletividade Alimentar; Estado Nutricional; Saúde Coletiva; Nutrição Infantil.Abstract
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações na comunicação, interação social e padrões comportamentais restritos e repetitivos. Entre os desafios frequentemente observados nessa população, destaca-se a seletividade alimentar, caracterizada pela recusa de alimentos, repertório alimentar limitado e preferência por características específicas, como textura, cor, sabor ou apresentação. Esse comportamento pode reduzir a diversidade da dieta e favorecer inadequações nutricionais que impactam o crescimento, o desenvolvimento e a qualidade de vida das crianças. Objetivo: Analisar os impactos da seletividade alimentar no estado nutricional de crianças com Transtorno do Espectro Autista na segunda infância e discutir a atuação do nutricionista no manejo dessa condição no contexto da saúde coletiva. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo-exploratório. A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e MDPI (Nutrients Journal), utilizando os descritores “autism”, “food selectivity” e “public health”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos primários publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas português e inglês, que abordassem a seletividade alimentar em crianças com TEA e sua relação com o estado nutricional. A seleção dos estudos ocorreu por meio da análise dos títulos, resumos e leitura completa dos artigos elegíveis. Resultados e Discussão: Os estudos analisados evidenciaram elevada prevalência de seletividade alimentar em crianças com TEA, associada à baixa variedade dietética, alterações sensoriais e sintomas gastrointestinais. Os achados demonstraram relação entre esse comportamento alimentar e inadequações nutricionais, incluindo deficiências de vitaminas e minerais, além de maior risco de sobrepeso e obesidade. Observou-se que a restrição alimentar pode comprometer o crescimento, o desenvolvimento infantil e a qualidade de vida. Os resultados reforçam a importância do acompanhamento nutricional precoce, da vigilância alimentar contínua e da atuação multiprofissional, com participação ativa da família. Também foram identificadas limitações metodológicas nos estudos, especialmente relacionadas à heterogeneidade das amostras e à escassez de pesquisas voltadas à atuação do nutricionista na saúde coletiva. Conclusão: A seletividade alimentar em crianças com TEA está frequentemente associada a alterações nutricionais relevantes, exigindo acompanhamento nutricional individualizado e intervenções precoces. Destaca-se a necessidade de ampliar as pesquisas e fortalecer estratégias de promoção da saúde que contribuam para a melhoria do estado nutricional e da qualidade de vida dessa população.
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