A Equação Lírica de Euclides da Cunha
The Lyrical Equation in the Poetry of Euclides da Cunha
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2084Palabras clave:
Euclides da Cunha, Poesia, ModernismoResumen
O artigo investiga a lírica de Euclides da Cunha a partir da hipótese da “equação lírica”, entendida como princípio estruturador de uma poética fundada na tensão entre ciência e imaginação. Em diálogo com a leitura de Ronaldes de Melo e Souza, especialmente no que concerne à noção de geopoética e à polaridade dinâmica entre razão e sensibilidade, o estudo demonstra que a escrita euclidiana rejeita tanto o objetivismo científico quanto o subjetivismo estético exacerbado. A análise concentra-se, sobretudo, no soneto “Álgebra lírica”, no qual o sujeito poético dramatiza o conflito entre o “gelo atroz” da abstração matemática e o “seio fervoroso” da experiência amorosa, transformando o “X” algébrico em símbolo de síntese existencial. O exame formal evidencia como repetições, sonoridades nasais e estrutura espiralada reforçam o estado de cansaço intelectual e a busca por equilíbrio. O artigo amplia a discussão ao incorporar a leitura de “Lirismo à disparada” e “Num minuto de calma”, poemas que reiteram o movimento de oscilação entre cálculo e lirismo, entre idealização e concretude. A interlocução com o romantismo alemão, especialmente Goethe e Fichte, bem como com ecos baudelairianos, permite situar Euclides no entrelugar de tradições diversas, revelando a complexidade de sua inserção histórica. Conclui-se que a “equação lírica” constitui uma metáfora epistemológica que expressa a complementaridade entre finito sensível e infinito inteligível, configurando uma modernidade poética singular no cenário brasileiro.
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