Cultivar saberes na EJA: uma revisão sistemática sobre educação, trabalho e sustentabilidade
Cultivating knowledge in youth and adult education: a systematic review on education, work, and sustainability
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2115Palabras clave:
EJA. Juventude. Trabalho. Sustentabilidade. Hortas escolares.Resumen
O cultivo de hortas escolares tem se consolidado como estratégia pedagógica relevante na Educação de Jovens e Adultos (EJA), sobretudo em territórios marcados por desigualdades sociais e pela inserção precária da juventude no mundo do trabalho. Este artigo apresenta os resultados de uma revisão sistemática de literatura de abordagem qualitativa, conduzida segundo o protocolo PRISMA 2020, com o objetivo de analisar como a produção acadêmica recente articula educação, trabalho e sustentabilidade no âmbito da EJA, com ênfase nas hortas como prática formativa. Foram examinados 156 documentos, dos quais 20 compuseram o corpus final, incluindo artigos, relatórios institucionais, legislações e dissertações. A análise de conteúdo identificou quatro categorias: (a) trabalho informal da juventude periférica; (b) formação na EJA; (c) sustentabilidade e educação ambiental; e (d) hortas como prática formativa. Os resultados indicam que a produção científica reconhece as hortas como tecnologia social capaz de integrar saberes ecológicos, práticas cooperativas, construção de autonomia e geração de renda, sendo especialmente promissora em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. Conclui-se que a horta constitui um dispositivo pedagógico potente para a EJA, ao articular educação ambiental crítica, economia popular e práticas emancipadoras, contribuindo para políticas curriculares que valorizem territórios, sustentabilidade e justiça social.
Descargas
Referencias
ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: bases científicas da agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular, 2012.
ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.
ARROYO, Miguel G. Ofício de mestre: imagens e autoimagens. Petrópolis: Vozes, 2005.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
BOTREL, Maria Carolina Gaspar; GONÇALVES, Luciano Donizete; SILVA, Johnisso Xavier. Propostas didático-pedagógicas para a educação ambiental utilizando hortas escolares. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, v. 9, n. 12, 2020.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1996.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação (PNE). Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2014.
BRASIL. Parecer CNE/CEB nº 11/2000. Diretrizes curriculares nacionais para a educação de jovens e adultos. Brasília, DF: MEC/CNE, 2000.
BRASIL. Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006. Institui o Proeja. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2006.
BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 3, de 15 de junho de 2010. Define normas nacionais para a educação de jovens e adultos. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2010.
BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 1, de 5 de julho de 2000. Estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação de jovens e adultos. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2000.
BRASIL. Decreto nº 4.834, de 8 de setembro de 2003. Institui o Programa Brasil Alfabetizado. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Documento diagnóstico da educação nacional / Plano Nacional de Educação. Brasília: MEC; Fundação Joaquim Nabuco, 2025.
CARNEIRO, Aline O. Horta escolar e segurança alimentar: instrumento pedagógico e saber didático. Cadernos Macambira, v. 5, n. 1, 2020.
CARNEIRO, M. T. S.; OLIVEIRA, J. A.; CRUZ, J. V.; DANIEL, L. O. Horta agroecológica no contexto da educação infantil: espaço de educação alimentar e nutricional. Brazilian Journal of Development, v. 9, n. 5, 2023.
CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2018.
CENTRO DE EXCELÊNCIA CONTRA A FOME. Boas práticas em hortas escolares e educação alimentar e nutricional. 2024.
CEREALI, Mariana; WIZIACK, Suzete Rosana de Castro. Hortas em espaços urbanos como ferramenta de educação ambiental, segurança alimentar e qualidade de vida. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 16, n. 3, 2021.
CRITICAL APPRAISAL SKILLS PROGRAMME. CASP qualitative checklist. Oxford: CASP, 2024.
DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS. Levantamento bibliográfico sobre aspectos diretamente ligados à vulnerabilidade social. São Paulo: DIEESE, 2009.
DINIZ, Sibelle. Economia popular e economia social solidária: do precário ao plural. In: ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL, 17., 2017. Anais. São Paulo: ANPUR, 2017.
DI PIERRO, Maria Clara. A educação de jovens e adultos no Brasil. São Paulo: Ação Educativa, 2003.
FERREIRA, Adriana Cristina Xavier Deiga; SILVA, Ronalda Barreto; SILVA, Roberto Marinho Alves da. Mulheres catadoras de materiais recicláveis: condições de vida, trabalho e estratégias organizativas no Brasil. Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise, v. 29, n. 75, 2023.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1986.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Dicionário de agroecologia e educação. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2021.
GADOTTI, Moacir. Educação e sustentabilidade: um novo paradigma para a escola. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2008.
GARCIA, Mariana Tarricone. Hortas urbanas e a construção de ambientes promotores da alimentação adequada e saudável. 2016. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.
GARCIA, Mariana Tarricone; FRANCO, Jéssica Vaz. Os ambientes alimentares e as hortas urbanas. In: BÓGUS, Cláudia Maria; COELHO, Denise Eugênia Pereira (org.). Hortas comunitárias urbanas: promovendo a saúde e a segurança alimentar e nutricional nas cidades. São Paulo: Instituto de Saúde, 2024.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GOES, Fernanda Lira; VIEIRA, Maria Gabriella Figueiredo; REIS, Talita Rocha; OLIVEIRA, Flávia Adriane Pestana de; LUNELLI, Isabella Cristina. Atlas das periferias no Brasil: aspectos raciais de infraestrutura nos aglomerados subnormais. Rio de Janeiro: Ipea, 2021.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. PNAD contínua: taxa de desocupação e taxa de subutilização. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
INSTITUTO TRICONTINENTAL DE PESQUISA SOCIAL. Pesquisa da juventude em periferias urbanas. 2020.
JACOBI, Pedro Roberto. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, 2003.
KRAYCHETE, Gabriel; GONÇALVES, Vinicius. Economia dos setores populares: trabalho, inserção social e cidadania. Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise, v. 29, n. 75, 2023.
LAYRARGUES, Philippe Pomier; LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. As macrotendências político-pedagógicas da educação ambiental brasileira. Ambiente & Sociedade, v. 20, n. 3, 2017.
LEFF, Enrique. Racionalidade ambiental: a reapropriação social da natureza. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2019.
LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo. Educação ambiental e movimentos sociais na construção da cidadania ecológica e planetária. In: LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (org.). Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. São Paulo: Cortez, 2002.
MARQUES, Léa (org.). Trajetórias da informalidade no Brasil contemporâneo. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021.
MENDES, Karina Dal Sasso; SILVEIRA, Renata Cristina de Campos Pereira; GALVÃO, Cristina Maria. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 17, n. 4, 2008.
MIGUEL, José Carlos (org.). Educação de jovens e adultos: teoria, práticas e política. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
NAGIB, G. Hortas urbanas e ativismo: práticas em São Paulo. 2024.
NOGUEIRA, Mauro Oddo; CARVALHO, Sandro Sacchet de. Trabalho precário e informalidade. Rio de Janeiro: Ipea, 2021.
OLIVEIRA, A. V. A agroecologia na educação do campo no Ceará, Brasil. 2024.
OLIVEIRA, Denílson Araújo de. A inscrição espacial da questão racial no espaço urbano. Rio de Janeiro: Ipea, 2021.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Nova York: ONU, 2015.
PAIVA, Jane. Educação de jovens e adultos: direito, diversidade e cidadania. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
REIBNITZ, Cecília de Sousa. Pesquisa como princípio educativo: uma metodologia de trabalho para a educação de jovens e adultos. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, v. 29, n. 111, 2021.
REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1994.
SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.
SANTOS, Vinícius Vieira dos; PEREIRA, Antonio Serafim. Pesquisa como princípio educativo: representações sociais. CriarEdu, v. 11, n. 2, 2022.
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 2012.
SILVA, Eliana Sousa. Periferias são regiões da cidade onde as políticas públicas chegam em tempos diferentes. Jornal da USP. São Paulo, 2022.
SIMÕES, G.; MEDEIROS, J. As periferias urbanas como ambiente fértil para mudanças sociais. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 27, n. 1, 2025.
SINGER, Paul. Introdução à economia solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002.
TIRLONI, Neusa; BLÜMKE, Adriane Cervi. Situação de segurança alimentar e nutricional em um município do noroeste do Rio Grande do Sul. Segurança Alimentar e Nutricional, v. 31, 2025.
TODOS PELA EDUCAÇÃO. Anuário: educação de jovens e adultos. 2024.
URSI, Elizabeth S. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão integrativa da literatura. 2005. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2005.
VASCONCELOS, Eveli Freire; COSTA, Ana Karolyna Branquinho da; OLIVEIRA, Gabrielle da Valle; PEREIRA, Katiusci Lemes. Informalidade e vulnerabilidade psicossocial. Interações, v. 24, n. 3, 2023.
VIEIRA, D. D.; PACHECO, C. S. G. R.; FLORÊNCIO, R. R.; SANTOS, M. H. L. C. Ensino de agroecologia na educação básica: revisão integrativa. Cenas Educacionais, v. 7, 2024.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Categorías
Licencia
Derechos de autor 2026 Manoel Hélio Sousa Santos, Bruno Matos de Farias (Autor)

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.

