A aplicação da medida de internação e seus impactos na ressocialização de adolescentes infratores
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2498Palabras clave:
ECA; ressocialização; exclusão social.Resumen
Este artigo busca apresentar o cenário da medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e regulamentada pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), com intuito de averiguar a efetividade deles na ressocialização dos adolescentes que comentem atos infracionais na sociedade. A revisão bibliográfica, legislativa e jurisprudencial tem como finalidade mostrar que a internação não deve ser um fim, ou seja, uma medida absoluta que vai colocar o adolescente confinado e mudar sua conduta, sem esperar que não haja consequências nas suas vidas. O presente trabalho busca entender a efetividade da medida de internação prevista no ECA e seus impactos sociais, psicológicos e educacionais na vida dos adolescentes infratores, verificando se contribui para sua reintegração ou exclusão social. A metodologia utilizada foi o método qualitativo de abordagem de textos jurídicos, baseada em revisão normativa (ECA e Lei do SINASE), análises de artigos científicos produzidos nos anos 2010 a 2026, bem como quantitativo em relação à reincidência destes menores. O questionamento que se pretende discutir é se o menor sociabilizado adequadamente se tornará um ser humano ativo na sociedade, gerando contribuições importantes para sua comunidade, mostrando que, através dessas medidas socioeducativas, será incluído e não excluído. Ao analisar o tema, chegou-se à conclusão de que a medida de internação, embora prevista como instrumento de caráter excepcional e pedagógico, apresenta limitações significativas em sua efetividade prática, especialmente quando não acompanhada de políticas públicas estruturadas, condições adequadas de atendimento e ações integradas de reinserção social. Dessa forma, verifica-se que sua eficácia está diretamente condicionada à qualidade de sua execução e ao fortalecimento das políticas socioeducativas, sendo insuficiente, por si só, para garantir a plena ressocialização do adolescente em conflito com a lei.
Descargas
Referencias
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 08 mar. 2026.
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, 16 jul. 1990.
BRASIL. Lei nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012. Dispõe sobre a Política Nacional de Atendimento Socioeducativo e institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE. Diário Oficial da União, Brasília, 18 jan. 2012.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Recomendação nº 98, de 26 de maio de 2021. Dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a realização de audiências concentradas para reavaliar as medidas socioeducativas de internação e de semiliberdade. Brasília, DF: CNJ, 2021. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br. Acesso em: 18 jan. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 367, de 19 de janeiro de 2021. Dispõe sobre diretrizes e normas gerais para a criação da Central de Vagas no Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, no âmbito do Poder Judiciário. Brasília, DF: CNJ, 2021. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br. Acesso em: 18 jan. 2026.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Levantamento Nacional do SINASE – 2024. Brasília, 2024.
CNJ. Justiça Pesquisa – Sistema Socioeducativo. Brasília: 2024. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/sistema-carcerario/sistema-socioeducativo/ Acesso em 08 mar. 2026.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). Programa Fazendo Justiça. Brasília, DF: CNJ, [2020-2026]. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/sistema-carcerario/programa-fazendo-justica/. Acesso em: 8 mar. 2026.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ). Sistema Socioeducativo. Brasília, DF: CNJ, [s.d.]. Disponível em: Portal CNJ – Sistema Socioeducativo. Acesso em: 8 mar. 2026.
CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (CONANDA). Resolução nº 233, de 30 de dezembro de 2022. Estabelece diretrizes e parâmetros para o atendimento socioeducativo de adolescentes privadas de liberdade no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 3 jan. 2023.
FERNANDES, Emili Pinto; CORDEIRO, Taiana Levinne Carneiro. A ineficácia das medidas socioeducativas e o agravamento da criminalidade dos adolescentes sob a ótica penal. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 12, n. 5, 2026. DOI: 10.51891/rease.v12i5.26898.
GOIS, José Mateus Figueredo. A aplicabilidade e a eficácia da medida socioeducativa de internação frente à reincidência dos jovens infratores. 2019. Monografia (Graduação em Direito) – Faculdade Damas da Instrução Cristã, Recife, 2019.
LIBERATI, Wilson Donizeti. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. São Paulo: Editora Malheiros, 2015.
LIBERATI, Wilson Donizeti. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 2021.
MACHIAVELLI, Jociane; SILVA, Gislaine da; SANTOS, Adelcio Machado dos. A (in)eficácia das medidas socioeducativas. Ponto de Vista Jurídico, v. 7, n. 1, p. 115-132, 2018. DOI: 10.33362/juridico.v7i1.1434.
PAULA, Paulo Afonso Garrido. Curso de Direito da Criança e do Adolescente (livro eletrônico). São Paulo: Cortez Editora, 2024.
RAMIDOFF, Mário Luiz. Direito socioeducativo: responsabilização diferenciada de adolescente. Independently Published, abr. 2019. ISBN 978-1092935920.
RIBEIRO, Lucas Barros Baptista de Toledo. Adolescentes em conflito com a lei: uma análise sobre a reincidência infracional no brasil. Disponível em: https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/redap/article/view/7621. Acesso em: 08 mar. 2026.
SAPORI, Luís Flávio; CAETANO, André Junqueira; SANTOS, Roberta Fernandes. A reiteração de atos infracionais no Brasil: o caso de Minas Gerais. Revista Direito GV, v. 16, n. 1, 2020.
SCISLESKI, Andrea Cristina Coelho et al. Medida socioeducativa de internação: estratégia punitiva ou protetiva? Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/X6VdxJjfGDVbkLYN6pT4N9P/?format=html&lang=pt. Acesso em: 08 mar. 2026.
SERRATO, Mariana Evangelista; DANTAS, Wellson Rosário Santos. A eficácia das medidas socioeducativas aplicadas aos menores infratores no Brasil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 5, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i5.19049.
SHECAIRA, Sérgio Salomão. Sistema de garantias e o direito penal juvenil. São Paulo: Saraiva, 2014.
SOUZA, Maria Rita; SILVA, Paulo Tadeu. Medidas socioeducativas e reinserção social: desafios e perspectivas no sistema socioeducativo brasileiro. Revista de Políticas Públicas, v. 24, n. 2, p. 112–129, 2020.
SILVA, Paulo Honorato da. Menor infrator e a eficácia das medidas socioeducativas: uma análise do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Epitaya E-books, 2024. DOI: 10.47879/ed.ep.2024554p222.
SILVA, Pedro Marinho Sizenando; INÁCIO, Glauco Peixoto. Uma análise da medida de internação para o adolescente autor de ato infracional. Revista Jurídica: Direito e Cidadania na Sociedade Contemporânea, v. 6, n. 6, p. 251-264, 2022.
STJ, AgRg no HC 393.316/SP, rel. Min. (dados do acórdão), j. 2017: reafirma a excepcionalidade da internação e o rol taxativo do art. 122 do ECA.
UNICEF Brasil. Pobreza multidimensional na infância e adolescência no Brasil. Brasília: 2024.
VELUDO, Cássio Marcelo Batista. Taxa de reincidência infracional no sistema socioeducativo do Distrito Federal – Brasil. Revista de Doutrina Jurídica, 2024. DOI: 10.22477/rdj.v115i00.1070.
VOLPI, Mário. O adolescente e o ato infracional. São Paulo: Cortez, 2013.
VOLPI, Mário. O adolescente e o ato infracional. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2015.
VOLPI, Mário. Adolescentes e medidas socioeducativas: desafios da política pública no Brasil. São Paulo: Cortez, 2019.
ZAPPE, Jana Gonçalves et al. A internação de adolescentes em conflito com a lei: uma reflexão teórica sobre o sistema socioeducativo brasileiro. Rev. Bras. Adolescência e Conflitualidade, São Paulo, v. 5, p. 112-133, 2011.
Publicado
Número
Sección
Categorías
Licencia
Derechos de autor 2026 Ricardo Lima Bastos, Fernanda Rosa Acha (Autor)

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.

