Consumo de alimentos ultraprocessados e sua associação com a prevalência da depressão em adolescentes e adultos sob a perspectiva de saúde coletiva: uma revisão de literatura

Autores/as

  • Bruno Salu Moura dos Santos Faculdade Ages – Bacharelado em Nutrição Autor/a
  • Juliana Malinovski Autor/a
  • Káren Arielle Carvalho Barreto Autor/a

DOI:

https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2539

Palabras clave:

Ansiedade; Depressão; Saúde Mental; Alimentos Ultraprocessados.

Resumen

Introdução: O consumo elevado de Alimentos Ultraprocessados (AUPs) tem sido associado ao aumento do risco de depressão e outros prejuízos à saúde mental em diferentes faixas etárias. Esses produtos, caracterizados por alta densidade energética e pobreza de nutrientes essenciais, estão associados a processos inflamatórios e alterações na microbiota intestinal, mecanismos fundamentais no equilíbrio do eixo intestino-cérebro. Objetivo: Analisar a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a prevalência da depressão em adolescentes e adultos, discutindo os mecanismos biológicos envolvidos e os desafios enfrentados pelo nutricionista na promoção da saúde mental. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura de caráter descritivo e exploratório. Foram considerados estudos primários publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas português e inglês, que abordassem a correlação entre o consumo de ultraprocessados e transtornos mentais. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed (U.S National Library) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online), utilizando descritores como “anxiety”, “depression”, “mental health” e “ultra-processed food”, combinados por operadores booleanos. Resultados e Discussão: Os estudos analisados evidenciaram que a alta ingestão de AUP apresenta efeitos deletérios consistentes para a saúde mental. Identificou-se uma resposta dose-dependente, onde o aumento do consumo eleva significativamente o risco de sintomas depressivos. Os principais mecanismos envolvidos incluem a neuroinflamação crônica, o estresse oxidativo e a desregulação metabólica. Em contrapartida, padrões alimentares de base in natura, como as dietas Mediterrânea e DASH, demonstraram efeitos neuroprotetores. Foi observável também que intervenções nutricionais precoces são eficazes no manejo dos sintomas, especialmente em grupos vulneráveis como adolescentes e homens jovens. Conclusão: A análise demonstrou que o consumo exacerbado de AUPs ativa mediadores inflamatórios e afeta a síntese de neurotransmissores essenciais para a regulação do humor. Embora existam lacunas na compreensão dos mecanismos exatos, os achados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à redução do consumo de ultraprocessados e a importância da atuação do nutricionista como suporte indispensável na prevenção e no manejo da depressão na saúde coletiva.

 

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Publicado

2026-06-19

Cómo citar

SANTOS, Bruno Salu Moura dos; MALINOVSKI, Juliana; BARRETO, Káren Arielle Carvalho. Consumo de alimentos ultraprocessados e sua associação com a prevalência da depressão em adolescentes e adultos sob a perspectiva de saúde coletiva: uma revisão de literatura. RCMOS - Revista Científica Multidisciplinaria O Saber, Brasil, v. 1, n. 1, 2026. DOI: 10.51473/rcmos.v1i1.2026.2539. Disponível em: https://submissoesrevistarcmos.com.br/rcmos/article/view/2539. Acesso em: 20 jun. 2026.