Alimentos Ultraprocessados e sua Relação com o Desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) em Crianças em Idade Escolar e Adolescentes: Uma Revisão integrativa
Ultra-processed foods and their relationship with the development of chronic non-communicable diseases (NCDs) in school-aged children and adolescents: An integrative review
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.1961Palavras-chave:
Alimentos ultraprocessados; doenças crônicas não transmissíveis; crianças; adolescentes; hábitos alimentares.Resumo
Introdução: O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) tem crescido de forma expressiva entre crianças e adolescentes, impulsionado pela industrialização do sistema alimentar, pela ampla disponibilidade desses produtos e pela forte influência do marketing direcionado ao público jovem. Segundo a classificação NOVA, os AUP são formulações industriais ricas em açúcares, gorduras saturadas, sódio e aditivos, ao mesmo tempo em que apresentam baixo valor nutricional. Evidências apontam que a adoção precoce desse padrão alimentar está associada ao desenvolvimento de fatores de risco cardiometabólicos e ao aumento da probabilidade de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) ao longo da vida, como Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão arterial e dislipidemias. No Brasil, estudos indicam que esses produtos podem representar de 20% a 35% do valor energético total diário da população infantojuvenil, configurando um desafio nutricional e social relevante. Esse cenário é agravado pela influência de fatores socioeconômicos, pelo ambiente alimentar escolar e familiar e pela redução do consumo de alimentos in natura, essenciais para a promoção de crescimento saudável e prevenção de enfermidades de longo prazo. Objetivo: O presente estudo tem como objetivo analisar as evidências científicas recentes sobre a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de DCNT ou fatores de risco cardiometabólicos em crianças em idade escolar e adolescentes, sintetizando os impactos metabólicos, nutricionais, comportamentais e sociais associados a esse padrão alimentar. Metodologia: Este estudo se caracteriza como uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e exploratório, abrangendo estudos publicados entre 2021 e 2025. As buscas ocorreram nas bases PubMed, SciELO e Periódicos CAPES, utilizando descritores em português e inglês: “alimentos ultraprocessados”, “ultra-processed foods”, “crianças”, “adolescentes”, “doenças crônicas não transmissíveis” e “non-communicable diseases”. Resultados e discussão: Os estudos analisados demonstram associação consistente entre maior consumo de AUP e piores desfechos cardiometabólicos. Pesquisas nacionais apontam que crianças e adolescentes com maior ingestão de AUP apresentam maior prevalência de excesso de peso, obesidade abdominal, aumento de circunferência da cintura, pior perfil lipídico, resistência à insulina e alterações inflamatórias. Em estudos regionais, observou-se que os AUP correspondem a parcela expressiva da dieta desde os primeiros anos de vida, reforçando a formação precoce de hábitos alimentares inadequados. Fatores socioeconômicos, como menor renda e menor escolaridade familiar, também se mostraram determinantes importantes, com consumo mais elevado entre populações vulneráveis. Os estudos internacionais incluídos ampliam esse panorama, demonstrando que o padrão alimentar ultraprocessado está associado não apenas ao risco de obesidade, mas também a comportamentos sedentários e pior bem-estar psicológico. Conclusão: Os achados desta revisão reforçam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados representam um importante fator de risco modificável para crianças e adolescentes. A exposição precoce a esses produtos compromete o estado nutricional, favorece alterações metabólicas e aumenta a probabilidade de desenvolvimento futuro de DCNT. Nesse contexto, a prevenção deve ocorrer desde a infância, envolvendo família, escola e serviços de saúde, de modo a promover escolhas alimentares mais saudáveis e garantir melhor qualidade de vida ao longo do ciclo vital.
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