A negligência comunicacional e o desenvolvimento psicossocial do sujeito surdo: o papel da família como primeiro agente de letramento e saúde mental
Communicational negligence and the psychosocial development of the deaf subject: the role of the family as the first agent of literacy and mental health
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i2.2025.2081Palavras-chave:
Privação Linguística. Família e Surdez. Saúde Mental. Libras. Desenvolvimento Socioemocional.Resumo
A privação linguística nos primeiros anos de vida da criança surda, decorrente da falta de input linguístico acessível no ambiente familiar, constitui um dos fatores mais graves de comprometimento cognitivo, emocional e social, configurando um problema de saúde pública. O presente artigo científico propõe uma análise densa e crítica sobre a responsabilidade familiar na aquisição da linguagem e na estruturação psíquica do indivíduo surdo. A metodologia baseia-se em uma revisão bibliográfica sistemática, correlacionando teorias do desenvolvimento sociointeracionista de Vygotsky, estudos contemporâneos sobre a Síndrome da Privação Linguística e evidências epidemiológicas sobre saúde mental na comunidade surda. O estudo estrutura-se em eixos temáticos profundos, explorando desde a janela neurobiológica de aquisição de linguagem até as consequências psicopatológicas da indiferença parental. Discute-se como a comunicação acessível no núcleo familiar atua como fator de proteção neurocognitiva e emocional. Os resultados indicam que o aprendizado da língua de sinais pela família não é uma opção pedagógica, mas um imperativo ético para garantir a constituição do sujeito. Conclui-se que a intervenção precoce e o bilinguismo familiar são determinantes para a autonomia e a saúde psíquica do surdo.
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