A arquitetura pedagógica da preceptoria em medicina de família e comunidade: construtos teóricos, demografia médica e resolutividade na atenção primária
The pedagogical architecture of preceptorship in family and community medicine: theoretical constructs, medical demography, and resolutivity in primary care
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2241Palavras-chave:
Educação Médica, Preceptoria, Atenção Primária à SaúdeResumo
A reconfiguração demográfica global e o aumento sustentado na prevalência de condições crônicas não transmissíveis exigem uma profunda adaptação estrutural dos sistemas de saúde, transferindo a centralidade do cuidado para a Atenção Primária à Saúde (APS). Este artigo investiga a arquitetura pedagógica inerente à preceptoria médica, analisando a intersecção indispensável entre o letramento acadêmico formal na docência superior e a aplicação clínica do Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP). O percurso metodológico adota uma revisão analítico-dedutiva da literatura científica, aliada à observação praxiológica do autor durante sua atuação no grupo de coordenação pedagógica e na preceptoria do programa de residência em medicina de família e comunidade da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SESAU), em parceria com a FIOCRUZ (Projeto Qualifica APS). A pesquisa estabelece uma fundamentação teórica para a evolução epistemológica da medicina comunitária, seguida de uma análise de dados demográficos que evidenciam o déficit crítico de especialistas no Brasil e nos Estados Unidos, em contraste com os modelos da OCDE. Subsequentemente, promove-se uma comparação estrutural entre a instrução hospitalocêntrica de matriz flexneriana e a supervisão territorial ambulatorial. Identificam-se problemas sistêmicos relevantes, como a iatrogenia diagnóstica e a fragmentação assistencial, propondo-se intervenções mitigadoras, alicerçadas em uma governança curricular estrita. Conclui-se que a preceptoria médica qualificada atua como o vetor determinante para assegurar a sustentabilidade operacional e a resolutividade dos modernos ecossistemas de saúde baseados em valor.
Downloads
Referências
ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB); UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Demografia Médica no Brasil 2023. São Paulo: AMB/USP, 2023.
BICKLEY, Lynn S. Bates' Guide to Physical Examination and History Taking. 13. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2020.
DUNCAN, Bruce B. et al. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
ENGEL, George L. The need for a new medical model: a challenge for biomedicine. Science, v. 196, n. 4286, p. 129–136, 1977. DOI: https://doi.org/10.1126/science.847460
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GUSSO, Gustavo; LOPES, José Mauro Ceratti (Orgs.). Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
MCWHINNEY, Ian R.; FREEMAN, Thomas. Manual de Medicina de Família e Comunidade. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
PORTER, Michael E.; TEISBERG, Elizabeth Olmsted. Redefining Health Care: Creating Value-Based Competition on Results. Boston: Harvard Business Review Press, 2006.
STARFIELD, Barbara. Atenção Primária: Equilíbrio entre as necessidades de saúde, os serviços e a tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002.
STEWART, Moira et al. Medicina Centrada na Pessoa: Transformando o Método Clínico. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2025 Yuri Mateus Muniz Martins Souza (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.
