Cultura fitness e comportamentos alimentares disfuncionais: desafios para a atuação do nutricionista na saúde coletiva: uma revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2536Palavras-chave:
Cultura fitness; transtorno alimentar; nutricionista; comportamento alimentar; saúde coletiva.Resumo
Introdução: A adesão à cultura fitness, impulsionada pelas mídias digitais, influencia padrões alimentares e a relação com a imagem corporal, especialmente entre jovens. Embora associada ao bem-estar e sucesso, essa cultura pode favorecer comportamentos alimentares disfuncionais, como restrição alimentar, ortorexia e compulsão, além de estimular dietas da moda e desinformação, com impactos negativos à saúde mental e nutricional. Dados epidemiológicos indicam alta prevalência de transtornos alimentares, sobretudo entre mulheres e jovens. Diante disso, o nutricionista tem papel relevante na educação alimentar e prevenção desses transtornos, ainda que enfrente desafios como a influência midiática, normalização de comportamentos disfuncionais e necessidade de atuação interdisciplinar. Analisar as evidências sobre essa relação é essencial para fortalecer estratégias de promoção da saúde. Objetivo: Analisar a relação entre a cultura fitness, os comportamentos alimentares disfuncionais e os desafios para a atuação do nutricionista na saúde coletiva. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, qualitativa, descritiva e exploratória, que buscou analisar a relação entre cultura fitness, comportamentos alimentares disfuncionais e desafios para a atuação do nutricionista na saúde coletiva. A busca foi realizada nas bases SciELO, PubMed, CAPES e RBNE, com descritores em português e inglês combinados pelos operadores AND e OR, incluindo estudos primários publicados entre 2022 e 2026. Devido à escassez de estudos específicos, também foram considerados trabalhos sobre imagem corporal, transtornos alimentares, práticas restritivas, mídia, nutrição e atenção primária. Após as etapas de seleção, sete artigos compuseram a amostra final, analisados de forma descritiva e crítica. Resultados e Discussões: Os estudos analisados indicam que a cultura fitness influencia significativamente o desenvolvimento de comportamentos alimentares disfuncionais, especialmente pela valorização estética do corpo magro e musculoso. A pressão estética, o uso intenso das redes sociais e o ideal de “corpo saudável” favorecem práticas restritivas, compulsivas e obsessivas, associadas à insatisfação corporal, compulsão alimentar e ortorexia nervosa. Muitos desses comportamentos são socialmente valorizados, dificultando sua identificação precoce. A literatura também aponta desafios para o nutricionista na saúde coletiva, como influência midiática, normalização de disfunções alimentares, ausência de protocolos, lacunas na formação e necessidade de atuação interdisciplinar. Os achados reforçam a importância de ações de educação alimentar, promoção da saúde e abordagens críticas frente aos discursos das mídias digitais. Conclusão: A revisão evidenciou que a cultura fitness influencia o desenvolvimento de comportamentos alimentares disfuncionais, como restrições, compulsões e obsessões, associadas à busca pelo corpo ideal. A pressão estética, amplificada pelas redes sociais e pelo discurso do “estilo de vida saudável”, normaliza essas práticas e dificulta sua identificação precoce. O fenômeno afeta diferentes grupos populacionais e impõe desafios à Atenção Primária, como ausência de protocolos, limitações na formação profissional e dificuldades no reconhecimento desses comportamentos. A atuação do nutricionista requer abordagens que considerem aspectos sociais, culturais e subjetivos da alimentação, com destaque para a Educação Alimentar e Nutricional na promoção da autonomia e no enfrentamento da desinformação. Reforça-se, ainda, a necessidade de ampliar a produção científica e fortalecer estratégias de promoção da saúde na Atenção Básica.
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