Determinantes dos casamentos prematuros entre crianças chefes de família: evidências da Associação Cristo na Aldeia em Mutua, Moçambique
Determinants of early marriages among child-headed households: evidence from the Cristo na Aldeia Association in Mutua, Mozambique
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2038Palavras-chave:
criança, casamento prematuro, chefe de famíliaResumo
O presente artigo analisa os fatores que influenciam a ocorrência de casamentos prematuros entre crianças órfãs chefes de família assistidas pela Associação Cristo na Aldeia, localizada na aldeia de Mutua, distrito de Dondo, província de Sofala, em Moçambique. A pesquisa adotou uma abordagem metodológica mista, combinando métodos qualitativos e quantitativos, com recurso à observação direta, entrevistas e aplicação de questionários. A amostra foi composta por 21 participantes, selecionados de forma intencional, sendo 15 crianças órfãs chefes de família, 2 líderes comunitários e 4 funcionários da associação. Os resultados indicam que a pobreza, o baixo nível de escolaridade, a ausência de progenitores, as crenças socioculturais e a insuficiência de informação sobre as consequências legais, sociais e de saúde do casamento prematuro constituem fatores fundamentais para a persistência do fenómeno. Conclui-se que o casamento prematuro compromete o desenvolvimento integral das crianças, tornando necessárias intervenções intersetoriais que envolvam o Estado, organizações, sociedade civil e lideranças comunitárias.
Downloads
Referências
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
ARTHUR, Maria José. O casamento prematuro como violação dos direitos humanos: um exemplo que vem da Gorongosa. Maputo: WLSA Moçambique, 2010.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.
BLANC, Ann K.; MORENO, Libertad. Vulnerability and child marriage: a global perspective. Population and Development Review, v. 47, n. 1, p. 45–72, 2021.
COLONNA, M. Community perceptions of child marriage in rural Mozambique. African Journal of Social Studies, v. 12, n. 3, p. 210–225, 2022.
FRANCISCO, António. Proteção social em Moçambique: abordagens e desafios. In: BRITO, Luís et al. (org.). Desafios para Moçambique 2014. Maputo: IESE, 2014. p. 275–301.
FRANCO, Maria Laura P. B. Análise de conteúdo. 2. ed. Brasília: Liber Livro, 2005.
GAGE, Anastasia J. Child marriage and poverty: regional patterns and societal implications. Journal of Adolescent Health, v. 52, n. 5, p. S27–S31, 2013.
GIL, Ana Maria. Infância, ritos e tradição em Moçambique. Maputo: Editora Académica, 2013.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991.
HONWANA, Alcinda; DE BOECK, Filip (org.). Makers and breakers: children and youth in postcolonial Africa. Oxford: James Currey, 2005.
HUDA, F. Child marriage and legal frameworks. International Journal of Law, Policy and the Family, v. 21, n. 2, p. 123–142, 2007.
HUMAN RIGHTS WATCH. “Girls shouldn’t give up on their studies”: pregnant girls’ and adolescent mothers’ struggles to stay in school in Mozambique. New York: HRW, 2024.
KOHLER, Hans-Peter; MACKIE, Gerry. The role of social norms and poverty in child marriage. Demographic Research, v. 39, p. 909–934, 2018.
KUMAR, Ranjit. Research methodology: a step-by-step guide for beginners. 2. ed. London: SAGE, 2007.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MUTANGA, R. Poverty, gender inequalities and child marriage in Sub-Saharan Africa. African Journal of Social Sciences, v. 9, n. 4, p. 112–129, 2019.
NAIK, Yashika. Social vulnerability and child marriage in Mozambique: an analysis of multidimensional factors and structural inequalities. Maputo: UNFPA/UNICEF, 2024.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Convenção sobre os Direitos da Criança. Nova Iorque: ONU, 1989.
PINTO, Sónia Basílio; BOLACHA, Natália Helena da Fonseca. O casamento prematuro em Moçambique: práticas, crenças e implicações na escolarização da rapariga no contexto rural. Njinga & Sepé, v. 2, n. 2, p. 370–384, 2022.
RICHARDSON, D. et al. Child-headed households in Sub-Saharan Africa: challenges and coping strategies. Child Development Research, v. 2018, Article ID 567890, 2018.
RICHTER, Linda M.; DESMOND, C.; HALL, J. Children heading households: vulnerability and resilience in Africa. Social Science & Medicine, v. 277, p. 113–121, 2021.
SAVE THE CHILDREN. Child-headed households and early marriage in Mozambique. London: Save the Children, 2020.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
UNFPA; UNICEF. Global Programme to End Child Marriage – Country Summary: Mozambique. Maputo: UNFPA/UNICEF, 2024.
UNICEF. Child-headed households and child protection in Eastern and Southern Africa. Nairobi: UNICEF, 2019.
UNICEF. Child marriage in Mozambique: situation analysis. Maputo: UNICEF, 2022.
UNICEF MOÇAMBIQUE. A situação das crianças em Moçambique. Maputo: UNICEF, 2025.
VICENTE, Inês. Casamentos prematuros e gravidez precoce: entre a lei e a tradição. Maputo: WLSA Moçambique, 2013.
VIEIRA, Sonia. Metodologia de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2009.
WORLD BANK. Economic impacts of child marriage: global synthesis report. Washington, DC: World Bank, 2022.
WORLD VISION MOZAMBIQUE. Vulnerabilidade económica e o aumento das uniões prematuras em contextos rurais. Maputo: World Vision, 2023.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 Celso Miambo , Dilsa Ho-Poon , Rebeca Mebau (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.


