O papel do Estado na proteção inicial das mulheres em situação de violência doméstica: atendimento policial, medidas urgentes e vulnerabilidade econômica
The role of the State in the initial protection of women in situations of domestic violence: police assistance, urgent measures, and economic vulnerability
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2247Palabras clave:
Violência doméstica, Medidas protetivas, Vulnerabilidade econômicaResumen
A violência doméstica contra a mulher configura uma grave violação de direitos humanos e revela falhas estruturais na atuação estatal, especialmente no início da proteção às vítimas. Embora a Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) represente um marco normativo no enfrentamento da violência de gênero, sua efetividade depende da atuação integrada e imediata dos órgãos públicos responsáveis pelo acolhimento, pelo registro da ocorrência e pela aplicação das medidas protetivas de urgência. O presente estudo analisa o papel do Estado na proteção inicial das mulheres em situação de violência doméstica, com ênfase no atendimento policial, na concessão e fiscalização das medidas protetivas e nas implicações da vulnerabilidade econômica para a eficácia dessas respostas. Parte-se do problema dos obstáculos enfrentados pelas vítimas na busca de ajuda institucional, tais como a falta de preparo dos agentes públicos, a revitimização e a insuficiência de políticas públicas voltadas à autonomia econômica feminina. A pesquisa adota metodologia qualitativa e exploratória, fundamentada em levantamento bibliográfico e documental, com análise de legislações, produções doutrinárias, relatórios institucionais e dados oficiais. A partir de uma abordagem interdisciplinar e crítica reflexiva, busca-se compreender a violência doméstica como expressão de desigualdades históricas e estruturais de gênero. Conclui-se que a proteção inicial ainda se mostra insuficiente, exigindo do Estado ações articuladas entre a segurança pública, a justiça e a assistência social, capazes de romper o ciclo de violência e promover a dignidade, a autonomia e a cidadania das mulheres.
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