Cidade da China: o paraíso dos negócios e o inferno do trabalho
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2336Palabras clave:
trabalho precário; trabalhadores angolanos; exploração laboral; desigualdade socialResumen
Este estudo analisa a realidade dos trabalhadores da cidade de Luanda, na China, sob as perspectivas sociológicas, econômicas e antropológicas. A pesquisa buscou compreender as condições de trabalho enfrentadas por esses trabalhadores, os impactos das políticas de remuneração, as relações estabelecidas entre trabalhadores angolanos e empregadores chineses, bem como as estratégias de sobrevivência desenvolvidas diante do emprego precário e da insegurança social.
Metodologicamente, a pesquisa foi conduzida em um paradigma qualitativo, com caráter exploratório e descritivo, utilizando o método do estudo de caso. Foram utilizadas entrevistas semiestruturadas, observação direta e notas de campo, envolvendo cerca de 73 trabalhadores angolanos em China City. Os resultados revelaram jornadas de trabalho excessivas, baixos salários, atrasos nos pagamentos, falta de alimentação e de condições de descanso adequadas, insegurança no trabalho e um forte desequilíbrio de poder nas relações entre trabalhadores e empregadores.
Constatou-se também que muitos trabalhadores enfrentam dificuldades extremas de sobrevivência, incluindo limitações no acesso à alimentação, ao transporte e à vida familiar. A investigação concluiu que Chinatown representa um espaço profundamente contraditório, no qual o crescimento económico, a circulação de capitais e a modernização comercial coexistem com a exploração laboral, a vulnerabilidade social e a fragilidade da dignidade humana. O estudo demonstra que o desenvolvimento económico, dissociado da proteção social, tende a reproduzir desigualdades e formas contemporâneas de trabalho precário no contexto angolano.
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