LGBTfobia nas Organizações: O Papel da Psicologia Frente aos Desafios da Inclusão no Trabalho
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2525Palabras clave:
Discriminação. Diversidade. LGBTfobia. Psicologia organizacional.Resumen
A LGBTfobia no ambiente organizacional constitui um obstáculo significativo para a promoção da equidade e do bem-estar de pessoas LGBTQIAPN+ no trabalho. Este estudo analisa as consequências dessa discriminação no contexto empresarial, com ênfase nos impactos à saúde mental, no desempenho profissional e à permanência dessas pessoas nas organizações. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-documental, utilizou a análise de conteúdo (Bardin, 2011) aplicada ao documentário Admite-se (2023), utilizado como material de análise. Os resultados indicam que a LGBTfobia se manifesta por meio de demissões injustificadas, cultura do silenciamento e estereótipos que invalidam identidades, gerando efeitos severos na saúde mental, como esgotamento emocional e sofrimento psíquico decorrente da necessidade de ocultar a própria identidade. A análise evidencia que a cultura organizacional, especialmente a atuação dos gestores de pessoas, é determinante para a manutenção ou o enfrentamento dessas práticas discriminatórias. Conclui-se que os objetivos foram alcançados, demonstrando que as vivências apresentadas no documentário corroboram a literatura acadêmica e reforçam o papel fundamental da Psicologia na construção de ambientes de trabalho inclusivos, seguros e pautados no respeito aos direitos humanos.
Descargas
Referencias
ADMITE-SE. Direção: Coletivo Plural. Produção: Constelação Filmes; Parada Sorocaba. Brasil, 2023. 1 vídeo (55 min).
AGUIAR, R. S.; SANTOS, J. B.; PARANHOS, L. A. Gestão de diversidade e inclusão no Brasil: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Administração, v. 27, n. 3, p. 45-62, 2021.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTRADOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO (ANAMATRA). Cartilha de inclusão da população LGBTQIAPN+ no mundo do trabalho. Brasília, 2023.
BANCO MUNDIAL. O custo econômico da exclusão baseada em orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais no mercado de trabalho brasileiro. Washington, D.C.: World Bank Group, 2026. Disponível em: https://www.worldbank.org/pt/country/brazil/publication/o-custo-da-exclusao. Acesso em: 15 maio 2026.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BENTO, B. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. Revista Estudos Feministas, v. 18, n. 2, p. 445-467, 2010.
BORBA, R. Reconhecimento judicial e políticas identitárias: a criminalização da LGBTfobia no Brasil. Revista Direito e Práxis, v. 11, n. 2, p. 670-698, 2020.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01): disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2024.
BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Relatório sobre violência homofóbica no Brasil: ano de 2013. Brasília: SDH/PR, 2013.
CANABARRO, D. L. Diversidade sexual e o mundo do trabalho: desafios e perspectivas. Psicologia & Sociedade, v. 25, n. 3, p. 699-707, 2013.
CARRARA, S.; VIANNA, A. R. B. "Crime que não se consuma": a homofobia no Brasil e o debate sobre a criminalização da violência contra homossexuais. Rio de Janeiro: CLAM, 2011.
CASSAL, M. E. Z.; GARCIA, J. R.; BICALHO, P. P. O sofrimento invisível: homofobia e saúde mental. Psicologia Política, v. 11, n. 22, p. 167-180, 2011.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 01/2018: estabelece normas de atuação para psicólogos em relação às pessoas transexuais e travestis. Brasília: CFP, 2018.
FAZZANO, M.; GALLO, A. LGBTfobia sob a perspectiva da Análise do Comportamento. Perspectivas em Análise do Comportamento, v. 6, n. 2, p. 123-139, 2015.
GOES, D. B.; OLIVEIRA, R. M. A diversidade como vantagem competitiva: inovação em empresas inclusivas. Gestão e Desenvolvimento, v. 21, n. 1, p. 77-89, 2024.
GREEN, J. N.; QUINALHA, R. (org.). Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca por direitos. São Carlos: EduFSCar, 2020.
GREEN, J. N.; QUINALHA, R.; CAETANO, M. A. Homossexualidades e ditadura militar no Brasil. São Paulo: USP, 2010.
MACHADO, L. B. A exclusão de travestis e transexuais do mundo do trabalho. Revista Estudos Feministas, v. 25, n. 2, p. 537-556, 2017.
MENDES, A. M. (org.). Psicodinâmica do trabalho: teoria, método e pesquisas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.
MEYER, I. Minority stress and mental health in sexual minority populations. Psychological Bulletin, v. 129, n. 5, p. 674-697, 2003.
PELÚCIO, L. Abjeção e desejo: uma etnografia travesti. São Paulo: Annablume, 2014.
PEREIRA, C. R. Exclusão e sofrimento psíquico: a invisibilidade das pessoas LGBT no trabalho. Psicologia & Sociedade, v. 23, n. 2, p. 243-253, 2011.
RODRIGUES, A. R. et al. Diversidade sexual e ambiente de trabalho: desafios e oportunidades. Administração em Diálogo, v. 21, n. 2, p. 120-135, 2019.
SANTOS, P. A. et al. Diversidade sexual e inovação nas empresas: evidências e caminhos. Organizações e Sociedade, v. 31, n. 109, p. 433-456, 2024.
SILVA, M. E. et al. Clima organizacional e inclusão: percepções de colaboradores LGBT. Psicologia: Teoria e Prática, v. 22, n. 1, p. 101-120, 2020.
SILVA, W. M. História da resistência LGBTQIA+. São Paulo: Boitempo, 2021.
SUE, D. Microaggressions in everyday life: race, gender, and sexual orientation. New Jersey: Wiley, 2010.
TAGLIAMENTO, D. S. et al. LGBTfobia e trabalho: implicações para a saúde mental. Psicologia Social em Debate, v. 26, n. 1, p. 95-112, 2020.
Publicado
Número
Sección
Categorías
Licencia
Derechos de autor 2026 Isac de São José Stavale, Rosana Valinñas Llausas (Autor)

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Este trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Isso significa que você tem a liberdade de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer propósito, inclusive comercial.
O uso deste material está condicionado à atribuição apropriada ao(s) autor(es) original(is), fornecendo um link para a licença, e indicando se foram feitas alterações. A licença não exige permissão do autor ou da editora, desde que seguidas estas condições.
A logomarca da licença Creative Commons é exibida de maneira permanente no rodapé da revista.
Os direitos autorais do manuscrito podem ser retidos pelos autores sem restrições e solicitados a qualquer momento, mesmo após a publicação na revista.

