Inovação no setor farmacêutico brasileiro: políticas públicas, investimentos e cooperação (2008–2021)
Innovation in the brazilian pharmaceutical sector: public policies, investments, and cooperation (2008–2021)
DOI:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i2.2025.1889Palavras-chave:
Políticas Públicas. Investimentos. Setor Farmacêutico. Inovação.Resumo
O setor farmacêutico e farmoquímico brasileiro ocupa posição estratégica na economia e na agenda de saúde pública, pois sua capacidade inovativa condiciona tanto a competitividade industrial quanto a ampliação do acesso a medicamentos e terapias. A pandemia de COVID-19 evidenciou, de forma direta, a dependência do setor em relação a investimentos contínuos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, bem como a necessidade de maior articulação entre indústria, centros de pesquisa e instrumentos governamentais de fomento. Diante desse cenário, este estudo analisa a evolução dos investimentos em inovação no setor farmacêutico brasileiro, considerando o papel das políticas públicas, os depósitos de patentes e a dimensão cooperativa do desenvolvimento inovador. Metodologicamente, adota-se abordagem quanti-qualitativa, com uso de dados secundários e revisão bibliográfica, visando reconstituir, em perspectiva histórica, como diferentes orientações de governo e arranjos institucionais influenciaram o desempenho inovativo do setor. Os achados indicam ausência de homogeneidade na trajetória de inovação, associada à descontinuidade de políticas e à alternância de prioridades públicas, o que favoreceu a concentração de investimentos em medicamentos genéricos, frequentemente com baixo grau de novidade tecnológica. Conclui-se que a consolidação de uma política pública consistente, previsível e duradoura é condição para elevar o patamar de inovação e fortalecer, de modo sustentável, o setor farmacêutico e farmoquímico no Brasil.
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