A mente no puerpério: desafios emocionais e as consequências diretas na relação mãe-filho

Autores

  • Nadylla Bezerra dos Santos Centro Universitário Estácio do Pantanal – UNIPANTANAL Autor
  • Viviane Laura Gomes do Carmo Centro Universitário Estácio do Pantanal – UNIPANTANAL Autor
  • Querem Hapuque Zeferini Neves Universidade de Cuiabá – UNIC Autor
  • Vera Mileide Trivellato Grassi Centro Universitário Estácio do Pantanal – UNIPANTANAL Autor
  • Liliane Trivellato Grassi Centro Universitário Estácio do Pantanal – UNIPANTANAL Autor

DOI:

https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2026.2348

Palavras-chave:

Depressão pós-parto. Puerpério. Saúde mental materna. Vínculo materno-infantil. Desenvolvimento infantil.

Resumo

A depressão pós-parto constitui uma das principais complicações psiquiátricas do período puerperal, com impacto relevante tanto na saúde materna quanto no desenvolvimento infantil. Estima-se que sua prevalência global varie entre 10% e 20% das puérperas, embora muitos casos permaneçam subdiagnosticados devido à sobreposição entre sintomas depressivos e manifestações emocionais consideradas esperadas no pós-parto. Este estudo teve como objetivo verificar a fragilidade da saúde mental no pós-parto, com ênfase na correlação entre manifestações clínicas e limitações funcionais que emergem na relação mãe-filho, visando sensibilizar profissionais para a importância da intervenção precoce. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura cujo levantamento bibliográfico foi realizado entre 2021 e 2025 por meio da consulta às bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “depressão pós-parto”, “saúde mental materna”,“interação mãe-bebê”, “puerpério”. A análise evidencia predominância de sintomas afetivos, especialmente humor deprimido persistente e anedonia, frequentemente associados a manifestações cognitivas, como sentimentos de culpa e baixa autoestima, e a sintomas somáticos, incluindo fadiga e distúrbios do sono. Tais alterações repercutem diretamente na responsividade materna e na qualidade das interações precoces com o recém-nascido, podendo comprometer o estabelecimento do vínculo afetivo e influenciar negativamente aspectos do desenvolvimento infantil. Os achados ressaltam que a subnotificação da condição permanece um desafio importante, o que contribui para o atraso no diagnóstico e para a limitação das intervenções terapêuticas oportunas. Os estudos analisados permitem concluir que a depressão pós-parto é um fenômeno multifatorial, com repercussões clínicas e sociais relevantes, o que reforça a necessidade de estratégias sistemáticas de rastreamento e acompanhamento no período puerperal.

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Publicado

14.05.2026

Como Citar

SANTOS, Nadylla Bezerra dos; CARMO, Viviane Laura Gomes do; NEVES, Querem Hapuque Zeferini; GRASSI, Vera Mileide Trivellato; GRASSI, Liliane Trivellato. A mente no puerpério: desafios emocionais e as consequências diretas na relação mãe-filho. RCMOS - Revista Científica Multidisciplinar O Saber, Brasil, v. 1, n. 1, 2026. DOI: 10.51473/rcmos.v1i1.2026.2348. Disponível em: https://submissoesrevistarcmos.com.br/rcmos/article/view/2348. Acesso em: 15 maio. 2026.